Já parou para se perguntar quem é você? Quem escreve seu destino? Quem faz tuas escolhas?
Synecdoche me deixou parado. Não consegui ver todo de uma só vez. Precisei parcelar para deixar meu cérebro processar e descomplicar o que lia (e ouvia).
Estranhamente você se torna espectador de sua própria vida. Você pode escolher quem faz teu papel, decidir suas falas, atitudes e reparar erros. Mas você faz tudo da mesma forma e ainda se questiona se está fazendo certo.
O filme é cheio de frases soltas que nos fazem pensar (e muito) em nosso papel aqui, no que estamos procurando, no que decidimos, no que escolhemos! O fato de existir a possibilidade de você escolher quem faz seu papel na vida é, para mim, uma forma de comprovar que, na maioria das vezes, estamos querendo viver a vida de outras pessoas, como se essas vidas fossem melhores que as nossas. É uma prova que não existe perfeição, mas que passamos a vida buscando por ela e acabamos deitados six feet underground.
Sério, tem muito mais que isso. É Charlie Kauffman elevado ao quadrado (é sua estréia na direção)! É Hoffman, Morton e Williams, juntos e fantásticos. É parecer confuso em muitos momentos e ver que quase nada clareia quando o filme termina. É parar, olhar pro teto, escutar Little Person e se perguntar: quem vai guiar teus passos?
Tudo é mais complicado do que pensam. Só vêm um décimo do que é verdadeiro. Há milhões de pequenos laços agarrados a cada escolha que fazem. Podem destruir a vossa vida cada vez que fazem uma escolha. Mas talvez não o saibam durante 20 anos e talvez nunca venham a saber a sua origem. E só têm uma hipótese de o conseguir. Apenas tentem e imaginem o vosso próprio divorcio. E ainda dizem que não há destino, mas há, aquele que vocês criam. E mesmo que o mundo continue por gerações e gerações só aqui estão por uma fração de um segundo. A maior parte do vosso tempo é gasto estando morto ou ainda não tendo nascido. Mas enquanto estão vivos, esperam em vão por uma chamada ou uma carta ou um olhar, por alguém ou alguma coisa para que tudo faça sentido. … Alguma coisa que vos faça sentir ligados. Alguma coisa que vos faça sentir completos. Alguma coisa que vos faça sentir amados. … E porque ninguém queira escutar a minha miséria, talvez porque tenham a sua própria.
Maria! Lembrei de ti! Precisa ver logo!